Imagens no estilo Ghibli criadas por IA: entenda os riscos de privacidade
Nos últimos dias, um novo trend viral tomou conta da internet: imagens geradas por inteligência artificial (IA) no estilo do renomado estúdio Ghibli. A facilidade de transformar fotos em ilustrações artísticas encantou milhões de usuários, mas também levantou preocupações sobre privacidade, ética e direitos autorais.
Para entender melhor os impactos dessa tecnologia, conversamos com Everaldo Pereira, Coordenador de Design do Instituto Mauá de Tecnologia no Podcast Canaltech. Ele explicou os principais riscos do uso dessas ferramentas e como os usuários podem se proteger.
Riscos de privacidade
Segundo Pereira, um dos maiores riscos ao utilizar IAs que transformam imagens é a coleta de dados pessoais. “Para usar essas ferramentas, geralmente é necessário criar uma conta ou vincular um perfil de outra plataforma, como Google ou Facebook. Isso já abre caminho para a coleta de informações pessoais”, alerta.
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Outro problema é o armazenamento das imagens enviadas pelos usuários. “A IA não funciona apenas com uma imagem. Ela é treinada com vastos bancos de dados, e nem sempre esses bancos são públicos ou seguros. Já vimos casos de vazamento de imagens sensíveis, incluindo fotos de crianças”, explica o especialista.
Direitos autorais: quem detém a propriedade das imagens criadas por IA?
A geração de imagens em estilos específicos, como o de animes do Studio Ghibli, levanta dúvidas sobre direitos autorais. Segundo Pereira, a legislação atual não protege estilos artísticos, apenas personagens e obras específicas. “Se um usuário cria uma ilustração inspirada no traço da Disney ou do Ghibli, mas sem copiar um personagem, não há infração de copyright. O mesmo ocorre com a IA”, esclarece.
No entanto, o problema real está nos dados utilizados para treinar as IAs. “Para criar imagens no estilo Ghibli, a IA precisa analisar dezenas de frames de animes. Isso significa que está sendo treinada com imagens de terceiros, o que pode gerar questionamentos legais”, pontua.
Na Europa, a regulação da IA já está em discussão. O AI Act da União Europeia e o PL 2338 no Brasil podem trazer novas regras para o uso de imagens e dados em Inteligência Artificial, mas a questão ainda está em debate.
Como se proteger ao usar ferramentas de IA
Pereira reforça que os usuários precisam estar atentos ao uso de suas imagens na internet. “Tudo o que fazemos na rede é rastreável. Muitas pessoas aceitam políticas de privacidade sem ler, permitindo que plataformas coletem dados sem restrição”, alerta.
Ele destaca algumas medidas para minimizar os riscos:
- Ler os termos de uso antes de enviar imagens para plataformas de IA;
- Evitar fotos de crianças e informações pessoais;
- Utilizar tecnologias que impedem o uso indevido de imagens. O MIT (Massachusetts Institute of Technology), por exemplo, desenvolveu uma técnica que altera pixels de uma imagem para impedir que a IA consiga treiná-la.
IA na arte: ameaça ou oportunidade para criadores?
A crescente adoção de IA no design e na arte gera receios entre ilustradores e designers. No entanto, Pereira acredita que a tecnologia pode ser uma aliada, desde que usada corretamente. “Quando a fotografia surgiu, os pintores temeram perder o espaço. No fim, a pintura foi ressignificada e se tornou ainda mais valiosa”, compara.
No mundo dos animes, alguns estúdios já utilizam IA para acelerar o processo de animação. “Está se tornando comum o uso de IA para tarefas repetitivas, permitindo que artistas foquem no que realmente exige criatividade”, afirma.
Para Pereira, o maior impacto será nos trabalhos mais mecanizados. “A IA não vai substituir criadores, mas pode reduzir a necessidade de profissionais que fazem trabalhos manuais e repetitivos. Designers e ilustradores precisam entender e dominar essas ferramentas para se manterem competitivos.”
O futuro das imagens geradas por IA
A discussão sobre inteligência artificial e arte está apenas começando, e Pereira reforça que regulação e educação digital são fundamentais para um uso responsável. “A tecnologia não vai desaparecer. O que precisamos é encontrar um equilíbrio entre inovação, ética e proteção da privacidade”, conclui.
Com novas leis em discussão e o avanço das IAs, o debate sobre os impactos dessas ferramentas na arte e na privacidade ainda tem muitos capítulos pela frente. Ficar informado é essencial para entender e lidar com essa revolução digital.
Leia a matéria no Canaltech.