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Destaques de março no MM: o sucesso do Mac seria o fracasso do iPad?

Destaques de março de 2025

Você se lembra de como, há alguns anos, era comum ouvirmos reclamações de usuários e consumidores da Apple sobre a imprevisibilidade da empresa quando se tratava do lançamento ou da atualização de um produto específico? Principalmente quando se tratavam de Macs?

Pense nos dias em que a Intel ocupava o chassi dos computadores. Dependendo do calendário de lançamentos e das configurações do chipset, a Apple podia passar anos sem atualizar sequer a memória — que dirá o processador e outras funcionalidades — de alguns Macs. O Mac Pro, por exemplo, ficou quase seis anos sem um upgrade! O MacBook Air — um dos computadores mais vendidos da Apple — ficou de 2015 até o fim de 2018 sem uma atualização significativa!

Ou seja, a Apple costumava demorar muito mais para atualizar seus Macs. Mas isso nunca foi um problema para os iPads que, desde o início, foram equipados com processadores proprietários da Apple (começando pelo A4). Isso dava à empresa maior controle sobre o ciclo de desenvolvimento e testes, garantindo lançamentos recorrentes e previsíveis para os consumidores.

Atualizações dos Macs

Com a adoção do Apple Silicon, esse ritmo se tornou realidade também para os seus computadores. Agora, assim que um novo processador da linha M é lançado, já se espera que ele chegue gradativamente ao restante da linha — tanto nos modelos base quanto em suas versões mais parrudas (Pro, Max e, por vezes, Ultra).

Tanto é que, no início de março, a Apple anunciou uma nova geração do Mac Studio, levando não apenas o chip M4 Max, mas também, surpreendentemente, o M3 Ultra ao seu desktop de alta performance.

Chips M4 Max e M3 Ultra
Divulgação/Apple

Além dos novos processadores, o Mac Studio agora conta com portas Thunderbolt 5 (com velocidades de até 120Gbps) e pode ser configurado com até 16TB de armazenamento (o dobro da geração anterior). Também é possível conectar a ele até 8 monitores Pro Display XDR, todos operando em resolução nativa (6K).

Apesar de o M4 Max ter um número de geração mais alto, o M3 Ultra é a verdadeira novidade, oferecendo, segundo a Apple, desempenho até 2x vezes maior que o M4 Max em tarefas que aproveitam a grande quantidade de núcleos de CPU 1 (até 32, sendo 24 de performance) e GPU 2 (até 80), mesmo sendo tecnicamente de uma geração anterior.

Sem grandes mudanças de preço, o novo Mac Studio parte de US$2.000 (M4 Max) e US$4.000 (M3 Ultra) nos Estados Unidos; no Brasil, os valores são de R$26.000 e R$52.000; já em Portugal, os preços são de 2.550€ e 5.100€, respectivamente.

A Apple também anunciou que o chip M4 (que deu as caras no iPad Pro, no ano passado) agora também equipa os MacBooks Air de 13 e 15 polegadas.

Segundo a Maçã, o M4 torna o novo MacBook Air até 2x mais rápido que o modelo com o chip M1 (lançado em 2020) e até 23x mais rápido que o último modelo com Intel. O computador também ganhou uma câmera Palco Central (Center Stage) de 12 megapixels, ideal para videoconferências, e uma nova cor, azul-céu (que seria uma espécie de azul claro metálico que “combina” as cores meia-noite, estelar e prateado).

O maior destaque destes novos modelos, no entanto, são os preços. O MacBook Air de 13” está partindo de US$1.000 (R$13.000 no Brasil), enquanto o de 15” por US$1.200 (R$15.500 no Brasil) — ambos US$100 mais baratos do que a geração anterior.

Esse patamar inicial é o mesmo de alguns anos atrás, e é considerado por muitos consumidores como um valor bem mais justo para um Mac de entrada, mesmo com essas configurações interessantíssimas.

Ou seja, cá estamos com um MacBook Air de entrada, com um processador de última geração e um preço mais baixo. Não tem muito como reclamar, né?

Atualização mínima nos iPads

Pois é, infelizmente não podemos dizer o mesmo sobre a atualização que a Apple fez na linha de iPads no último mês, que foi o mínimo de mínimo.

Após quase três anos do lançamento do iPad de 10ª geração, a Apple resolveu atualizar seu tablet de entrada com o chip A16, o qual fornece até 30% mais velocidade do que a geração anterior, que contava com o A14 Bionic.

O mais estranho de tudo isso é que, mesmo sendo atualizado em pleno 2025, o novo tablet não conta com suporte à Apple Intelligence. A única outra diferença em relação ao modelo anterior são as opções de armazenamento, que agora partem de 128GB (não mais 64GB), passando por 256GB e 512GB.

Em termos de preço, não temos nenhuma mudança. O modelo de entrada continua sendo vendido por US$350 nos Estados Unidos — R$4.500 no Brasil e 420€ em Portugal.

Além do iPad de entrada, os iPads Air de 11″ e 13″ também receberam uma leve atualização de processador, passando do M2 para o M3 — estes, sim, com suporte à Apple Intelligence.

Tirando a melhoria de processador, os iPads Air estarão disponíveis nas cores azul, roxo, estelar e cinza espacial, em configurações de 128GB, 256GB, 512GB e 1TB. Os preços nos EUA são de US$600 (11″) e US$800 (13″). No Brasil, eles partem de R$7.500 e R$10.000; em Portugal, 730€ e 980€.

Além disso, a Apple atualizou o Magic Keyboard para essa linha, agora com uma fileira de teclas de função (14 teclas) e um trackpad ligeiramente maior. Os preços foram reduzidos para US$270 (modelo menor) e US$320 (modelo maior). No Brasil, os valores são R$3.000 e R$3.300.

Ou seja, nada de revolucionário nessas atualizações. Como eu disse, nos últimos anos a Apple tem se tornado craque em realizar atualizações pontuais em seus dispositivos, mesmo que sejam somente um upgrade de processador, como foi o caso na linha de iPads.

Não estou dizendo que há um problema nisso. Eu sou do time que, se algum consumidor está à procura de um novo aparelho para comprar, que ele possa ter o modelo mais atualizado possível no momento que precisar. Por isso, não acho interessante deixar produtos anos a fio sem atualização — sim, estou falando com você, HomePod mini.

Mas, vamos combinar… nem umas cores novas, Apple? Nem um novo wallpaper para fazer o aparelho ter cara de novo na caixa? Pois é, acho que a empresa ainda precisa estudar um pouco melhor como caminhar essa linha tênue de atualizações periódicas pequenas para trazer um pouco mais de empolgação para os lançamentos.

Por isso mesmo, eu entendo o fato de ela ter escolhido lançar esses novos modelos por meio de comunicados para a imprensa (press releases), e não fazer isso em um evento tradicional — quem ficaria empolgado em ver o iPad de entrada ganhando um chip de 2022?

Brincadeiras à parte… “good job, Apple”, você fez o mínimo, e é isso que tem que ser feito de vez em quando. Mas… até quando?

Um problema para os iPads?

De fato, todos esses updates levantam uma questão: enquanto a atualização pontual dos Macs foi recebida com alvoroço e alegria (principalmente no que tange o novo MacBook Air), o lançamento dos iPads, por sua vez, foi visto como dispensável.

Será que é só a nova cor azul-céu e o preço mais baixo que trouxeram essa diferença de pensamento? Ou será que a Apple poderia ter feito um pouco mais para atiçar a curiosidade dos consumidores e realmente “vender” esses novos iPads?

Eu sei que a empresa reserva as grandes novidades e “revoluções” da linha para serem introduzidas com o iPad Pro.

Acho que a recepção mais acalorada do novo MacBook Air pode ter razões bem claras, pois finalmente os Macs têm um um ciclo de atualizações mais previsível e acelerado. Fora isso, o impacto do Apple Silicon sempre traz melhorias de performance que realmente agregam no fator produtividade no Mac — enquanto no iPad isso não é tão significativo.

Nos iPads, a troca de chips gera números impressionantes nos benchmarks, mas isso se traduz em pouca diferença real no uso diário. O iPad Air, por exemplo, passou do M2 para o M3 (que já está uma geração “ultrapassada”), mas isso não muda quase nada na experiência de quem já tem um modelo anterior — principalmente por conta do software que ele roda.

Enquanto os Macs estão evoluindo com consistência, os iPads estão estagnados. O problema maior na linha de iPads é que já não sabemos bem para quem eles são feitos. Temos:

  • iPad de entrada: serve para o básico e agora tem um chip atualizado, mas nenhuma grande novidade.
  • iPad mini: poderia ser chamado facilmente de iPad Air, como uma terceira opção de tamanho de tela.
  • iPad Air: continua sendo um “mini Pro”, sem identidade própria e que existe apenas para suprir uma lacuna de preço.
  • iPad Pro: tem um hardware superpoderoso, mas ainda roda o mesmo iPadOS limitado que o iPad de entrada, o qual não aproveita todo esse poder.

Essa falta de direção fica evidente na reação morna às atualizações dos iPads. Diferentemente dos Macs, que hoje são ferramentas indispensáveis para trabalho e produtividade, os iPads ainda estão tentando justificar seu lugar entre um smartphone e um laptop.

Ou seja, será que o sucesso do Mac refletiria no fracasso do iPad?

WWDC25 e rumores

Por fim, a Apple terminou março anunciando a data em que acontecerá a Worldwide Developers Conference (WWDC) 2025 — entre os dias 9 e 13 de junho.

Como de praxe, o evento será 100% online e iniciará com uma keynote, a qual provavelmente contará com os anúncios oficiais do iOS 19, iPadOS 19, macOS 16, visionOS 3, watchOS 12 e tvOS 19.

E falando nesses sistemas, rumores nos últimos meses vêm indicando que os SOs para iPhones, iPads e Macs ganharão uma “reformulação visual completa”.

Com inspiração clara nas interfaces translúcidas do Vision Pro, o iOS 19 tem sido desenvolvido internamente pelo codinome “Solarium” — que seria, basicamente, um ambiente composto em grande parte por vidro, o qual permitiria a entrada de luz natural. Espera-se, portanto, que esse conceito seja abordado por todo o sistema.

A agitação é tamanha pelos próximos sistemas operacionais que mockups com vislumbres do possível visual já foram até veiculados pela mídia.

Para nós, meros mortais, será possível acompanhar a keynote de abertura pelo site da Apple, app Apple TV e YouTube — ou pela live do MacMagazine, é claro, que ainda será devidamente anunciada. As demais apresentações da WWDC25 também poderão ser conferidas por todos no canal Apple Developer no YouTube, além do app Apple Developer e do portal Apple Developer.

Agora, só nos resta aguardar…

Notas de rodapé

1    Central processing unit, ou unidade central de processamento.
2    Graphics processing unit, ou unidade de processamento gráfico.
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