Cientistas desvendam segredo do vertebrado mais velho do mundo
A lista de animais que vivem mais de um século não é das mais extensas. Certas espécies de tartarugas chegam facilmente a essa marca. Assim como algumas baleias, peixes e vários invertebrados aquáticos.
Entre os vertebrados, porém, ninguém se compara ao tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus). Esse gigante dos mares, que pode alcançar sete metros de comprimento e pesar 1,5 toneladas, vive entre 270 e 500 anos.
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Tubarões evoluíram quando os oceanos esquentaram
Tubarões são muito diferentes uns dos outros (até entre a mesma espécie)
Essa espécie habita os oceanos Ártico e Atlântico Norte e se alimenta de outros peixes menores, além de focas e de filhotes de ursos polares.
O tubarão-da-Groenlândia é considerado uma espécie esquiva, por isso não foi tão estudado até hoje. Ele também é bastante “preguiçoso”, com um metabolismo lento: cresce cerca de 1 centímetro por ano e demora 150 anos para atingir a maturidade sexual.
São características únicas. Nenhuma delas, no entanto, ajuda a explicar por que esses animais conseguem viver por tanto tempo. O x da questão está no código genético dessas criaturas.
Um genoma extremamente complexo
Pesquisadores internacionais sequenciaram pela primeira vez o genoma do tubarão.
E eles descobriram que esse código é imenso, duas vezes maior que o de um humano e maior que qualquer outro genoma de tubarão sequenciado até o momento.
São impressionantes 6,5 bilhões de pares de bases.
Segundo os cientistas, o tamanho do genoma e a capacidade de reparar o próprio DNA ajudam a explicar a longevidade extrema.
É o mesmo sistema identificado em outras espécies com longevidade excepcional, como o rato-toupeira-pelado, o roedor de vida mais longa que dura até 30 anos ou mais.
Mas o tubarão-da-Groenlândia é único porque uma grande quantidade — mais de 70% — de seu genoma é composta de genes saltadores.
Esses genes são pedaços de DNA que podem migrar de uma área para outra e que têm a capacidade de fazer cópias de si mesmos.
Normalmente, são ligados a doenças genéticas e ao câncer.
No caso do tubarão, porém, esses genes podem reparar o DNA danificado, dando essa longevidade extraordinária para a espécie.
Você pode ler a pesquisa na íntegra na plataforma bioRxiv.
Descoberta terá impacto na longevidade humana?
A ideia é que sim, mas serão necessários novos estudos para isso. Em pesquisas anteriores, cientistas conseguiram estender a vida útil de certas espécies de vida curta, como moscas e camundongos, usando modificações genéticas.
Eles, no entanto, nunca trabalharam com espécies maiores – e com códigos genéticos mais complexos. Compreender mais a fundo como funciona esse sistema reparador dos tubarões pode gerar um insight para nós, seres humanos – seja pensando em viver mais, seja pensando em achar uma cura para determinadas doenças.
Agora, antes do desenvolvimento dessas novas pesquisas, é importante destacar que o objeto principal do estudo, o tubarão-da-Groenlândia pode não estar mais por aqui nos próximos anos.
Isso porque ele aparece como vulnerável na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza.
Ou seja, antes de nos preocuparmos em prolongar a nossa própria vida, precisamos também garantir condições básicas de sobrevivência para outras espécies mais vulneráveis – que passaram a sofrer mais graças à ação do homem.
As informações são da CNN Internacional.
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