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Cientistas desvendam segredo do vertebrado mais velho do mundo

A lista de animais que vivem mais de um século não é das mais extensas. Certas espécies de tartarugas chegam facilmente a essa marca. Assim como algumas baleias, peixes e vários invertebrados aquáticos.

Entre os vertebrados, porém, ninguém se compara ao tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus). Esse gigante dos mares, que pode alcançar sete metros de comprimento e pesar 1,5 toneladas, vive entre 270 e 500 anos.

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Essa espécie habita os oceanos Ártico e Atlântico Norte e se alimenta de outros peixes menores, além de focas e de filhotes de ursos polares.

O tubarão-da-Groenlândia é considerado uma espécie esquiva, por isso não foi tão estudado até hoje. Ele também é bastante “preguiçoso”, com um metabolismo lento: cresce cerca de 1 centímetro por ano e demora 150 anos para atingir a maturidade sexual.

São características únicas. Nenhuma delas, no entanto, ajuda a explicar por que esses animais conseguem viver por tanto tempo. O x da questão está no código genético dessas criaturas.

O mar frio da Groenlândia abriga o vertebrado mais velho do mundo: um tubarão que pode viver até 500 anos! – Imagem: jet 67/Shutterstock

Um genoma extremamente complexo

Pesquisadores internacionais sequenciaram pela primeira vez o genoma do tubarão.

E eles descobriram que esse código é imenso, duas vezes maior que o de um humano e maior que qualquer outro genoma de tubarão sequenciado até o momento.

São impressionantes 6,5 bilhões de pares de bases.

Segundo os cientistas, o tamanho do genoma e a capacidade de reparar o próprio DNA ajudam a explicar a longevidade extrema.

É o mesmo sistema identificado em outras espécies com longevidade excepcional, como o rato-toupeira-pelado, o roedor de vida mais longa que dura até 30 anos ou mais.

Mas o tubarão-da-Groenlândia é único porque uma grande quantidade — mais de 70% — de seu genoma é composta de genes saltadores.

Esses genes são pedaços de DNA que podem migrar de uma área para outra e que têm a capacidade de fazer cópias de si mesmos.

Normalmente, são ligados a doenças genéticas e ao câncer.

No caso do tubarão, porém, esses genes podem reparar o DNA danificado, dando essa longevidade extraordinária para a espécie.

Você pode ler a pesquisa na íntegra na plataforma bioRxiv.

O segredo da longevidade da espécie está no genoma complexo – Imagem: Layse Ventura via Dall-E / Olhar Digital

Descoberta terá impacto na longevidade humana?

A ideia é que sim, mas serão necessários novos estudos para isso. Em pesquisas anteriores, cientistas conseguiram estender a vida útil de certas espécies de vida curta, como moscas e camundongos, usando modificações genéticas.

Eles, no entanto, nunca trabalharam com espécies maiores – e com códigos genéticos mais complexos. Compreender mais a fundo como funciona esse sistema reparador dos tubarões pode gerar um insight para nós, seres humanos – seja pensando em viver mais, seja pensando em achar uma cura para determinadas doenças.

Agora, antes do desenvolvimento dessas novas pesquisas, é importante destacar que o objeto principal do estudo, o tubarão-da-Groenlândia pode não estar mais por aqui nos próximos anos.

Isso porque ele aparece como vulnerável na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza.

O tubarão-da-Groenlândia é uma espécie vulnerável e que corre risco de extinção – Imagem: Shutterstock/ Dotted Yeti

Ou seja, antes de nos preocuparmos em prolongar a nossa própria vida, precisamos também garantir condições básicas de sobrevivência para outras espécies mais vulneráveis – que passaram a sofrer mais graças à ação do homem.

As informações são da CNN Internacional.

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