Compra da Nuvia pela Qualcomm teria feito empresa economizar US$ 1.4 bilhão em royalties
A aquisição da Nuvia pela Qualcomm, realizada em 2021 por US$ 1,4 bilhão, prometia revolucionar o mercado de processadores. No entanto, novos detalhes revelados no julgamento entre ARM e Qualcomm indicam que os resultados não corresponderam às expectativas iniciais. Enquanto a Qualcomm visava economizar em royalties e desafiar Intel e Apple, o impacto da estratégia ainda gera discussões acirradas.
Estratégia ambiciosa para competir com Apple e Intel
Na época da aquisição, o CEO da Qualcomm, Christiano Amon, justificou o alto investimento à diretoria com a projeção de uma economia anual de até US$ 1,4 bilhão em pagamentos de royalties para a ARM.
A compra da Nuvia era vista como a chave para reduzir a dependência da Qualcomm das arquiteturas da ARM, que, até então, eram indispensáveis para seus processadores Snapdragon.
Apesar do otimismo, a primeira geração de chips Snapdragon X não alcançou o desempenho esperado no mercado de notebooks. Apenas 720 mil dispositivos equipados com o processador foram vendidos no terceiro trimestre de 2024, o que representou menos de 1% do mercado global.
Conflito com a ARM e riscos para o modelo de negócios
O embate entre Qualcomm e ARM é fruto de desacordos sobre o uso de licenças. A ARM argumenta que a Qualcomm deveria renegociar os termos contratuais após a aquisição da Nuvia, alegando perdas anuais de cerca de US$ 50 milhões em royalties.
Por outro lado, a Qualcomm defende que o licenciamento atual cobre todos os designs adquiridos da Nuvia e acusa aARM de buscar monopolizar o mercado ao planejar desenvolver seus próprios chips.
A tensão no setor é evidente, considerando o interesse crescente em CPUs baseadas em arquitetura ARM . Projetos como o primeiro mini PC com Snapdragon X Elite, desenvolvido pela Geekom, mostram o potencial para inovações, mas também evidenciam os desafios enfrentados pela Qualcomm.
O futuro da Qualcomm no mercado de CPUs
Embora a aquisição da Nuvia tenha sido vista como uma alternativa para reduzir custos e ganhar autonomia no mercado de CPUs, os resultados até agora demonstram que a transição não é simples. A
Qualcomm havia até mesmo considerado comprar a Intel, mas optou pela aquisição mais “simples” da Nuvia para evitar complicações regulatórias.
Com o julgamento entre ARM e Qualcomm chegando às fases finais, o resultado poderá definir o futuro dos processadores Snapdragon X e também o próprio modelo de negócios da ARM, que atualmente depende de licenças.
Enquanto isso, o mercado aguarda os próximos movimentos da Qualcomm na disputa por um espaço mais significativo entre as gigantes do setor.
Fonte: Tom’s Hardware